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Jardins Suspensos

Jardins Suspensos

[WorkPlace] Seremos Priveligiados?!

 

 Reuniaozinha da praxe e blá-blá-blá a empresa isto, a empresa aquilo, temos de ter auto-motivação sem os chefes andarem atrás, somos priveligiados por ter emprego e blá-blá-blá...

 

 E fico eu com as ideias suspensas na cabeça e tento decifrar: Seremos?!

 

 Facto: A dona A. pode ter emprego, eu tenho trabalho. Trabalho 40 horas semanais (por enquanto) de pé atrás de um balcão de atendimento a levar com clientes, chefes e colegas, cada um com sua mania.

 

 Facto: Auto-motivação não é suficiente quando não somos apreciados pelo nosso trabalho efectivo ou quando temos de ir jantar às 17h, tendo entrado às 15h30 e apenas saindo às 00h30, porque a empresa além de não estar para nos motivar também não nos dá condições mínimas de trabalho.

 

 Facto: Falando em condições, depois do abaixo assinado a que milhares de portugueses quiseram dar o ar da sua graça para permitir a abertura dos hiper aos Domingos à tarde todo o ano, não foram criados novos postos de trabalho, pelo contrário, apenas se sobrecarregou quem já lá estava.

 

 

 Conclusão.

 

 Ter um ordenado é algo que a todos é vital e portanto, não é algo a que fique indiferente. Sei perfeitamente que há muita gente que estaria disposta a arregaçar as mangas para que o pão não lhe faltasse, se ao menos lhe dessem oportunidade. Acredito ainda que seriam muitos deles melhores que alguns que estão lá. Sei ainda que há quem tenha condições ainda piores que as minhas e a elas se sujeite, pois a responsabilidade assim o obriga.

 

 Em quase 7 anos de casa, já vi mais de uma centena de pessoas passar pelos mesmos corredores que eu. Uns partiram porque quiseram, muitos sem avisar, outros porque foram forçados a tal, sem perspectivas nem ilusões. Neste ano que se acabou, nem sequer reforços de Natal tivemos connosco, o que fez com que o trabalho já de si avultado, fosse triplicado. Digam o que disserem, os centros comerciais estão sempre cheios e os carros também, tanto que muitas vezes olhamos em volta e nos perguntamos "onde é que está a crise?".

 

 Gosto do facto de ter trabalho e um ordenado. Mas não sou priveligiada, sou trabalhadora. Sustento-me com o suor e as dores de costas e pernas que o meu trabalho me dá. Não ando à caça de subsídios a que não tenho direito, não presto falsas declarações para tal.

 

 A minha auto-motivação é ultrapassar os dias, um de cada vez, ganhar o meu, pagar as minhas contas. Faço-o com brio e eficiência, faço-o o melhor que sei e consigo.

 

 Por tudo isso não me sinto nada priveligiada, sinto-me desmotivada. Mas não vou deixar de ir trabalhar.

 

 

 

 

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