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Jardins Suspensos

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[Economia Doméstica] O 1 de Maio, o Pingo Doce e a Hipocrisia

 Olá :)

 

 Ontem, enquanto trabalhava que nem moura, dei por mim com uma informação bastante interessante: a dita promoção do Pingo Doce, em que as compras de valor superior a €100, teriam 50% de desconto imediato!

 

 Só depois de sair e chegar a casa, eram umas belas 1h30 da manhã, é que pude investigar a fundo a informação. Mesmo assim, e por falta de informação oficial e algumas dúvidas nas excepções, não fiquei totalmente esclarecida. Ainda liguei para a linha de apoio ao cliente mas de novo, não havia informação confirmada.

 

 Então, de lista na mão, foi esperar e dormir alguma coisa para lá ir logo de manhã. Nem por isso. Saio tarde e ainda mais tarde me deito, o que me faz dormir pouco quase todos os dias. Hoje, estando de folga e o rapaz também sem escola, a manhã foi uma benesse para o sono. E depois do almoço, fomos à aventura...

 

 Este não é o estabelecimento a que fui mas a ideia é a mesma.
 
 Fui a dois, um hiper que anteriormente era Feira Nova, e depois a um super, pequeno e atarracado.
 No primeiro, uma hora gastei para ir de uma ponta à outra e voltar, sem encontrar um carrinho nem cesto, pisada e empurrada. Não havia carne, fiquei cheia de calor e desisti. O sistema de transmissão de carrinhos era assim: esperava-se que a pessoa pagasse as compras, acompanhava-a até ao carro, com sorte, ajudava-se a carregar algo lá para dentro e depois ficava-se com o carrinho. Nice, hã? Not.
 
 Depois me decidi a ir ao outro Pingo mais perto de casa, mais pequeno. Admito que pensei estar pior mas não estava. Carne era impossível encontrar, leite e azeite idem. Valeram-me os congelados, que foi onde investi mais dinheiro. Ainda fui apanhando algumas coisas que estavam pela loja, vítimas da pouca paciência de quem não esperou até ao fim.
 Tive o cuidado de comprar apenas coisas que fosse utilizar independentemente de haver promoção ou não e a verdade é que podia ter gasto ainda mais do que os €77 que gastei. Se soubessem o que me segurei para não trazer nada do expositor da Maybelline, orgulhavam-se de mim!

 Era ver-me, de calculadora e lista em riste, a por coisas nos sacos de ráfia que levei comigo, enquanto o meu filho os guardava.

 

 Demorei 2h e achei que seria pior, muito pior. Ao fim de um tempo de lá estarmos, o meu filho perguntou-me se podíamos ir embora e se valia mesmo a pena a espera.

 

 Valeu a pena sim! Não foi fácil nem bonito mas o valor pago no final, supera isso.

 

 Se podia ter comemorado o Dia do Trabalhador de outra forma? Sim. Mas voltando atrás, apenas mudava a hora em que fui lá, pois ia na mesma.

 

 Se são artigos que compraria sempre e assim vieram a metade do preço, há mesmo mais alguma coisa a dizer?! Podem dizer que é gozar com a miséria, há coisas piores e legalizadas.

 

 Trabalho num hiper, onde deixei de ter folga fixa ao Domingo por causa da assinatura de MILHARES de Portugueses. Esse dia da semana que dizem ser o da família. E agora, virem dizer que acham muito mal abrir ao feriado, que é para estar em casa, com a família, e que vamos mas é todos boicotar as grandes superfícies! Não me façam rir por favor. A sério. "Atentado à dignidade humana", moralistas de 2ª mão, hipócritas de trazer no porta luvas! São os mesmo que passeiam a beleza gasta no corredor dos congelados ou noutro qualquer, lá onde trabalho, calmamente, às 00h15, sem se importar com o trabalhador que tem família à espera. O seu interesse nos direitos do trabalhador aparece apenas uma vez por ano, no 1 de Maio e apenas porque parece bem. Enquanto houver gente assim, que diz A e faz exactamente o contrário, merecemos a crise que temos. Contas de outro rosário.

 

 Trabalhar é preciso, pois só assim se tem ordenado, quem dera a muitos poder tê-lo. Se acho que isso justifica o que as entidades patronais fazem aos funcionários? Não. No entanto, posso dizer que pelo menos na minha loja, não sei de quem tenha sido coagido a trabalhar hoje. Eu mesma estive de folga e em momento algum me pediram para ir trabalhar, quanto mais exigir. Vá lá. Já basta o que aturo dos clientes quando estou ao balcão a atender sozinha com mais de 20 números em espera. Mas as pessoas acreditam que eu estou lá sozinha por gosto? :/

 

 Resumo: Trabalha quem pode, quem ganha mais dinheiro a fazê-lo, quem acha que não é apenas num dia do ano que se luta pelos direitos de quem trabalha. Vai às compras quem pode, quem acha que mesmo sendo uma selva, o preço compensa.

 

 Se isto é racional? É melhor que passar fome. E eu sei do que falo, saberão os senhores que aparecem na televisão? Tenho dúvidas. É isso e contas para pagar.

 

 Ah e...

 

Fonte

 

 

 

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