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Jardins Suspensos

Jardins Suspensos

O Meu Livro Preferido de 2012 :)

 Olá!

 

 Hoje falo de livros ou melhor, do meu livro preferido em 2012.

 

 Este ano portei-me mal, li pouco mas em contrapartida, só li livros de que gostei. Fugi do meu género preferido, o policial, e lancei-me de frente para o romance. E porque se é para sorver romance a sério se deve ir para o melhor, para a indiscutível arte de narrar o almejado amor, fiquei-me por Nicholas Sparks e o seu Juntos ao Luar.

 

 

 A história de John e de Savannah, unidos por um amor improvável e uma lua cheia é primeiramente enternecedora, digna de contos de fada. À medida que se desenvolve e surgem as acções contrárias à nossa vontade, nós leitores que nos enredamos e desejamos um felizes para sempre na página final, o coração aperta-se e sofre com as investidas do destino. 

 A verdade é que, neste tipo de narrativa, todos sabemos que haverão contratempos, que haverão desastres e desilusões mas o que é um cliché, torna-se numa vontade que nos assola e nos embrenha de tal modo, que é impossível parar de ler ou parar de nos condoermos com aquilo que sabemos ser a vida.

 É isso que se sente, que a vida intromete-se pelo amor, pelas pessoas e seus desejos. A vida e seus desaires infiltra-se pelas frestas de um amor que de longe se vai enfraquecendo. A vida é assim, injusta e feroz e pela veracidade com que é retratada, pela palpável maneira com que surge nas páginas deste livro, ficamos a pensar em quantos John's e quantas Savannah's haverão no mundo.

 

 Tive momentos em que não consegui parar de chorar, momentos em que me enfureci e momentos em que compreendi. Eu ressenti-me de Savannah pelas suas escolhas, pelo modo em que mudou e se distanciou de John, como se os seus actos fossem de um egoísmo que não pode nem se deve ter no amor. Sou total e fervorosamente contra o desperdício de amor. E por isso, sofri com as dores de John, andei com elas nos ombros durante uns dias, alimentei-as com sal das minhas lágrimas.

 

 Serei só eu?

 

 Quando o peito acalmou e a raiva se dissipou, eu, assim como John, entendi que deixar de lado aquele amor não foi um acto feito de leve ânimo por parte de Savannah e que ela, à sua maneira e perante as suas próprias dores, entregou-se como pôde às vontades da vida. E deixar de lado não é deixar de amar...

 

 Acho também que este livro não fala apenas do amor de um homem e uma mulher mas também do amor de um homem e o seu filho.

 O pai de John sempre foi um homem cabisbaixo, introvertido e com poucas qualidades sociais. Menos quando falava de moedas! Da sua colecção de moedas raras e valiosas, da excitação de encontrar aquela próxima que é tão especial. John cresceu com ele, embrenhado nesse espírito mas quando entrou na fase mais adulta e se desligou dessa busca, deixou, pensou ele, de ter algo para se relacionar com aquele homem. 

 É interessante perceber que quando somos mais novos e o mundo se apresenta como um mar de possibilidades, somos pequenos demais para perceber que as coisas não são da maneira que queremos, por haver uma razão nisso. À medida que formamos o ser que seremos pelo resto da vida e amadurecemos o nosso cérebro e coração, vemos as respostas às nossas perguntas, respondidas com clareza. Que não interessa que o outro tenha o feitio que tenha, seja por doença ou característica, importa se esteve sempre lá, se nunca nos falhou, se nunca deixou de estar ali, à mesma hora, com a mesma voz, a dar os bons dias, a servir o pequeno almoço. 

 Quando John percebe isso, percebe que o amor do seu pai era dele e não das moedas mas que essa era a maneira que a sua condição lhe permitia de se relacionar com ele.

 

 Neste final, ele e ela não ficam juntos nem tão pouco deixam de se amar, mas John tem o coração no sítio certo e ao afastar-se e não se intrometer entre Savannah e o seu companheiro e sendo o factor que faz com que Tim tenha esperança de vida, ele não desistiu dela. Apenas a deixou solta das amarras de uma promessa que o tempo deixou lá ao longe.

 

 Neste final, mesmo que nós possamos ter ficado com "e se..." no pensamento, acho que John não. Porque quando a lua cheia se levanta e ele observa, escondido pela noite, ela vem cá fora e mira o céu, perpetuando um sentimento que não desapareceu nem se esqueceu, apenas ficou lá atrás.

 

 

 Eu ainda não vi o filme que foi feito para/sobre este livro mas conto fazê-lo e se for minimamente equivalente, vai ser daqueles filmes de fazer chorar as pedras da calçada.

 Quanto ao livro, eu recomendo-o principalmente porque não precisei pegar no livro para escrever sobre ele, não obstante os meses passados sobre a leitura do mesmo, o que me faz perceber o quanto ele me marcou e tocou. Daqui a alguns anos, quando já não me lembrar da maior parte dos detalhes, pegarei nele de novo e esse é o maior elogio que posso fazer a um livro: relê-lo.

 

 Boas Leituras para 2013! :)

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