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Jardins Suspensos

Jardins Suspensos

Cabeceira: Cai o Pano - O último caso de Poirot, Agatha Christie :)

 Olá!

 

 Este terá sido para mim, apesar de pequeno, o livro que mais me custou ler. Apenas porque não lhe queria chegar ao fim, não queria que o pano caísse e nunca mais me fosse cruzar com uma aventura nova do meu detective preferido e as suas maravilhosas células cinzentas. Há qualquer coisa que nos prende e nos preenche em Hercule Poirot, à imagem de um bigode farfalhudo e uns sapatos impecáveis. Ah mon cher ami!

 

 Esta colecção da ASA, que não se finda com este livro, é responsável por cerca de metade dos livros que possuo e acompanha-me há alguns anos. No início só comprava os respeitantes ao belga mais famoso da literatura mas o apelo da escrita da autora fez-me querer ler tudo quanto publicou. E só ganhei com isso.

 

 

 Sinopse: "Hercule Poirot regressa à mansão de Styles, palco do seu primeiro caso. Na casa está reunido um grupo que muito agrada ao Capitão Hastings. O seu choque é, pois, imenso quando Poirot anuncia que, entre eles, se encontra um assassino implacável. Nenhum dos convidados tem perfil de criminoso, muito pelo contrário. Com o passar dos anos, a saúde do detetive  deteriorou-se. Será que as suas célebres celulazinhas cinzentas vão desapontá-lo pela primeira vez?"

 

 Por onde começar? Um Hercule Poirot que se apresenta numa cadeira de rodas, sem aparente força para se movimentar, com um estado de saúde débil e a promessa de um fim próximo, corporalmente mirrado, bem, é cenário que entristece e angustia a pessoa! Mas é como ele próprio diz a Hastings, tudo o que precisa é ter a mente clarificada, arguta. Só assim é possível perceber que apenas ele encontre, em cinco casos distintos de homicídio, um indicador comum. E notar-se que não são casos por resolver, pois de uma forma ou de outra, todos eles foram julgados, todos eles tiveram um culpado aparente, mesmo que não condenado. E em nenhum deles, foi encontrado um elo de ligação que sugerisse o que quer que fosse. Apenas as celulazinhas cinzentas de Poirot se apercebem de algo, alguém que de uma forma ou outra, tenha estado presente em todos os crimes, embora nunca directamente envolvido. Para tomar as rédeas da questão e tentar por todas as maneiras que X não seja o causador de outra morte, embora saiba que isso será difícil, Poirot volta a Styles Saint Mary e pede a Hastings que vá ter com ele e seja os seus pés, pernas, olhos e ouvidos.

 Expondo-lhe as suas desconfianças e certezas, não lhe conta quem acredita ser X, que todos sabemos o quão transparente pode ser o Capitão. 

 Desta vez, por conta do livro que é, e que encerra um capítulo muito importante da minha cultura literária, não quero desbroncar tudo. Posso dizer apenas que, apesar de ser o Capitão Hastings o nosso foco mais directo, o intelecto e engenho de Poirot está a conduzir a história e os acontecimentos, a dar-nos as pistas que nem nós mesmos vimos, já depois de partir. Dotado de um forte sentido moral, ele debateu-se neste caso, entre a sua repulsa perante o homicídio e a oportunidade de prevenir futuras mortes. Mas como se condena um assassino que não mete a mão na massa mas que usa das suas próprias células cinzentas para que os crimes acontecam? Poirot sabe como.

 

 A minha aparente angústia e tristeza neste adeus ao meu personagem favorito de todos os tempos pode parecer infantil, bem sei. Mas só quem lê e se infiltra por entre as estórias com que se cruza, pode saber o que é uma ligação assim. Agatha Christie fez-nos apaixonar por uma criatura nada convencional e fê-la brilhar por entre o cinza da ideia que temos dos dias britânicos. É por autores assim e personagens assim que eu gosto tanto de ler. Algo bom desde que voltei a trabalhar, é o facto de ter lido muito mais, devido a usar um refeitório que não dispõe de televisão nem muito fluxo de pessoas.

 

 Bem, pelo menos dizem que no livro "Os Cadernos Secretos de Agatha Christie", dispomos de duas histórias inéditas de Hercule, o que faz a pessoa ansiar pela altura de o ler, que ali está há algum tempo em espera na estante. Saving the best for last, i suppose.

 

 Au revoir mon ami!