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Jardins Suspensos

Jardins Suspensos

Do Ser-se Assertivo

 Num blog, como na vida, ser-se assertivo não é apenas uma forma de saber-se exactamente quem se é e o que se quer. É estar confiante de que se é o mais justo e verdadeiro, primeiro para consigo e depois para os demais.

 Se os demais, no blog, acham que falamos bem de algo que recebemos só porque o recebemos, não nos cabe discutir com eles a nossa veracidade e imparcialidade em relação à proveniência do produto. Ou sequer pedir desculpas por gostar e usar efectivamente o que se recebeu. Se os demais, na vida, não olham com prazer os nossos nãos ou os nossos não estás a ser correcto, não vale discutir, que quem erra inconscientemente primariamente e sistematicamente após aviso, merece colher os frutos do que faz. Também aqui não vale pedir desculpa por sentir a mão da injustiça como punhal no coração.

 

 Não deixem de ser quem são porque os demais não se sentem como vossos iguais e vos afastam de si. 

 

 Não sou como o meu pai, a minha mãe ou a minha irmã. Não sou como a blogger que recebe dinheiro para postar nem como a que nem um alfinete quer receber para o mesmo efeito. Não sou como nenhum deles e sou mais feliz assim em mim mesma, sem o peso de ter de superar expectativas ou sem a leveza que advém de não se querer ter compromissos porque não se sabe ser idóneo.

 

 Não tenho vergonha de mudar de opinião mas se o fizer, é justo que o refira como uma mudança e não como se o acto oposto ao escolhido no presente, fosse abominável, sem dizer a quem nunca me leu ou ouviu ou a quem tem a memória curta que nem um peixinho num aquário, que de facto, agia de forma diferente e que progredi. Ou pelo menos tentei. Tentar apagar um passado com uma frase à rainha das coisas mais que perfeitas, enquanto se manda os lacaios esconder os esqueletos, nunca será algo a que almejo errar. E eu erro com fartura. Apenas não minto sobre isso.

 

 Não sou, todavia, um mar de nãos e de vai-te matar, tenho paciência, por vezes demais até. Mas ser-se assertivo não é dizer não porque não, não é dizer basta por repetição robótica. É fazê-lo em consciência e na forma e feitio que o interlocutor nos merece. Se for com silêncio ou um vai à merda, que seja. Se for com palavras bem ditas mas que nunca surtem o efeito que é delas esperado, que seja. 

 

 Não andemos atrás de alguém para que goste de nós e do que fazemos, que por mais bonita e maravilhosa que a bajulação seja, quando não é real, não nos acrescenta valor à vida. Quem nos olha e lê e percebe num flash de que matéria somos feitos e gosta de nós, merece um espaço. E quando somos esses de fora da redoma e que gostamos e não nos deixam entrar, seja pela roupa que trajamos ou pelo que gostamos e usamos, vale deixar de gostar.

 

 Recuso-me a ser quem não sou, a ter uma alma vazia ou cheia de valores em que não acredito, a ser comparada e diminuída nesse acto que fala mais de quem o pratica do que de mim.

 

 PS: Este post foi escrito por uma pessoa zangada, pelo que o objectivo não é ofender mas sim desabafar, que mulher não tem de aguentar tudo calada para ficar com cara de Mona Lisa na fotografia!