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Jardins Suspensos

Jardins Suspensos

Gozar com Assuntos Sérios Devia Dar Pena de Prisão. E já agora, dor de dentes.

 Olá!

 

 Começar a semana é para muitas alminhas, um sacrifício, uma luta constante entre abandonar o calor da cama e lavar a cara com a realidade. E apetece-me lavar a cara com um pouco de realidade, para ficar com os olhos abertos.

 

 Aqui há tempos, uma moça partilhou uma notícia num grupo que frequento. Nela falava-se de uma mãe que deu a festa de 16º aniversário do filho, num bar de strip. Não me recordo de pormenores da notícia, apenas me lembro que foi na América, pouco mais.

 Vamos a saber, qualquer pessoa que decida dar a festa de 16 anos de quem quer que seja num bar de strip, é para mim e visto do senso comum, alguém que não bate tremendamente bem da bola. A parte que me fornicou o humor foi quando a inspiração da moça que partilhou o link, diz de sua justiça que segundo a notícia, a senhora teve o filho com a idade que ele estaria a celebrar e que isso dizia tudo. WTF???!!! Oi?! Está alguém em casa?! Senhor polícia, quero participar um cérebro preconceituoso por favor.

 

 Em tempo algum, seja pelo que for, a idade com que se tem um filho serve de justificação para que se bata mesmo mal da cabeça e que se leve o petiz a ver mamocas e demais orgãos, mais os amiguinhos de escola, para celebrar as 16 primaveras! Dizer isto revela não apenas um preconceito vergonhoso, como um desrespeito enorme com qualquer mãe que o tenha sido antes de ser maior de idade e que seja uma óptima mãe. A idade com que se tem um filho não impera qualquer retrocesso mental na pessoa. Conheço e tenho conhecimento de mães que tratam muito mal os seus filhos, que não lhes dão atenção nem carinho, que não os incentivam a estudar e que os ensinam a roubar. Essas mães, que estão a ajudar na estupidificação da próxima geração, não foram mães adolescentes, qual será então a razão de tal comportamento?! Há descuidos e situações que mudam a vida das pessoas e parte delas lidar com essas mudanças com a responsabilidade que é sua e não da segurança social. Ser mãe não é para todas as mulheres mas já que se escolhe sê-lo, que sejamos o melhor possível, por eles. O preconceito que vem do "ah tão nova e já pina" ou o "querias pinar e lixaste-te", faz favor de guardar essa energia para tratar da própria vida que os meus impostos pagam subsídios a muitos preconceituosos e mereço respeito.

 

 

 Isto tudo porque na semana passada...

 

 Relacionei uma e outra coisa, embora aparente não ter nada a ver. Uma blogger partilhou uma foto de uma maquilhagem, em que a pessoa retratada poderia ter produto a mais aplicado. E novamente uma iluminada (eta seita!) resolve dizer, em jeito de legenda, "como parecer uma vítima da violência doméstica". Chamem-me má e piquinhas, chamem-me tremendamente sensível mas eu considero uma total falta de respeito este tipo de comentário. Até porque, ia na onda do comentar no sentido perjorativo da publicação, porque aquele look não ia porventura de encontro ao que as senhoras acham que é uma boa maquilhagem. Eu já vi fazerem coisas mais estranhas, menos de encontro aos meus ideais do que fica bem ou não, cada um com os seus. Relacionar isso com algo que matou 37 mulheres o ano passado em Portugal, dá-me um nó tamanho xl no ser.

 Na altura, houve muita gente a dizer que a Rihanna era isto ou aquilo, quando voltou para o Chris Brown após ele lhe ter batido. As pessoas não escolhem ser sacos de pancada, não escolhem levar na cara com o punho de quem as devia amar no matter what. E não se chega a bater em alguém sem se preparar terreno para tal.

 Um homem que bate numa mulher é um predador, é alguém que primeiramente afasta a presa de todos os restantes contactos que tem, que lhe faz crer que isso é para o melhor e que se as pessoas se afastaram, foi porque quiseram, porque não gostavam o suficiente dela, não tanto como ele, nunca como ele, que ele nunca a vai abandonar. Torna-a dependente sem que ela se aperceba. Porque só se percebe com a primeira chapada e por vezes nem aí. Depois da criação de uma história aos olhares de todos, repleta de felicidade e empatia cósmica, dentro de quatro paredes, entre os primeiros murros e os vãos pedidos de desculpa, é destruída uma vida, de alguém a quem foi retirado o poder sobre si mesma, que teme por si e dos seus, que nisto de se ser um monstro full size, está incluída a ameaça de matar. Muitas vezes, é isso que acontece.

 O ano passado morreram 37 mulheres vítimas de violência doméstica em Portugal. Dá-me vontade de chorar quando repito isto. Dá-me vontade de arrancar cabelos quando tentam fazer humor engraxador com isto ou quando leio notícias sobre psicopatas que são libertados ou contra as queixas não se aguentam, porque a justiça é um bem não essencial hoje em dia. Uma mulher que é vítima de violência não precisa de "se levas é porque queres", precisa de uma saída, de alguém que não olhe para o lado. Denunciar a violência doméstica é lutar pelos direitos humanos.

 

 

 Sim, o tema ou os temas são mais sérios que o normal e a programação do blog não costuma ser assim, mas assim como eu detenho o poder sobre mim mesma, reservo-me ao direito de postar sobre o que bem me dá na real fana quando sinto que o devo. Quero dizer às mentes preconceituosas que me inspiraram, que tenho pena que assim o sejam e envolvam asuntos sérios com nuvens de humor fácil para tentar cair no goto das massas. 

 

 É, depois as bloggers que postam sobre maquilhagem é que têm a cabeça cheia de ar... Percebi.

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