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Jardins Suspensos

Jardins Suspensos

[Loveholics] Temos uma idealização anormal do Amor?

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Temos a imagem idílica de como é suposto ser uma relação, uma vida em conjunto com outra pessoa, o grau de entrega de cada parte, a forma de expressar sentimentos, tanto privada como pública. Desdenhamos qualquer sapo caseiro que se atravessa no nosso caminho, convencemo-nos que estamos a ser exigentes e não picuinhas, queremos o entusiasmo de um bando de borboletas com LSD no estômago.

 

Ou então, levamos cada amasso como um contrato de amor, cada beijo atesoado como uma promessa eterna, cada toque na pele soa a um tipo de entrega que só nós ouvimos, vemos mais longe dentro dos olhos do outro do que ele próprio sabe. Amamos com a facilidade de um piscar de olhos e um pedido de telefone, sofremos enorme e declaradamente quando as mensagens se tornam menos frequentes, os encontros são virtuais e prometemos, a nós e às amigas, nunca mais amar outra vez. Quando, semana seguinte estamos enredadas novamente e somos confrontadas com as próprias palavras, reagimos afoitas com um desta vez é diferente, eu mudei e sou assim, sou assado. É mentira.

 

E estas duas condições, estes dois extremos, não são condições exclusivamente femininas, há homens assim, a sério que os há.

 

Crescemos com contos de fadas, idealizámo-los para as nossas perspectivas de futuro e agarrámo-nos a eles como se fossem barcos salva vidas, o príncipe iria chegar, naquele majestoso cavalo branco, já depois de termos as nossas desventuras, resgatando-nos, sem muitas vezes, nos dizer o seu nome próprio. Para que quer um príncipe um raio de um nome próprio afinal? O titulo que carrega é tão apessoado de significado, deslumbramento, amor eterno e fiel, felicidade espampanante; para quê estragar isso com um pormenor tão vulgar como um nome?

 

O amor não é aquilo que nos foi ensinado, nem sequer, pasme-se, é aquilo de que tratam as cantigas, os poemas, as novelas, os filmes. O amor não é aquilo que a nossa amiga tem e pelo qual a odiamos só um bocadinho em silêncio e não é aquilo que vemos nas pessoas na rua.

 

Quando percebemos finalmente que o amor é mutável e adaptável, quando entranhamos que ele tem as mais variadas maneiras de se expressar, que não corresponde a nenhuma formula secreta e exacta, entendemos que o amor está em tudo o que nos rodeia e não carece de demasiada análise, de extremos de comportamento. 

 

Não temos de nos fechar até que apareça a pessoa que faz de nós completa e também não temos de nos dar com sofreguidão a cada pessoa que se atravessa no nosso caminho, com medo que possa ser a tal e que a percamos de vista. Devemos estar de mente aberta para ver além do óbvio e ouvir o coração, por entre o apelo da carne e a solidão imposta.

 

Só quando percebemos que o verdadeiro amor é aquele que nos permitimos direccionar a nós mesmos, é quando encontramos a felicidade há muito desejada. E se com ela vier uma pessoa que nos ame e respeite, ainda bem. Mas se não vier ou mesmo se acordarmos um dia e a pessoa ao nosso lado tiver deixado de ser alguém que merece o nosso amor, não é uma perda nossa, não é um falhanço pessoal e não é uma lição com a qual nos devemos chicotear. É a oportunidade de um novo dia na nossa história.

[Loveholics] O Amor são Almôndegas e loiça lavada

 Está na moda gabar os homens mas só se e/ou quando eles oferecem MAC, Chanel, Dior e por aí. Não vejo publicações do tipo "hoje o meu namorado disse-me 'amo-te' pela primeira vez", "o meu namorado evita usar aquele desodorizante que me deixa nauseada", "o meu rico namorado disse-me que quer passar o resto da vida comigo", "o melhor namorado do mundo é o meu porque me atura naquelas alturas do mês em que mais pareço um bicho".

 

 Embora gostemos de coisas, compradas por nós mesmas e principalmente, oferecidas, é importante darmos valor àquilo que os homens fazem e que não tem etiqueta de preço. Como as tuas almôndegas preferidas que não comes há mais de um ano. Ou a loiça lavada naquele dia em que estás de rastos. Uma estante procurada propositadamente para albergar as tuas coisas bonitas, essas que compras sem lhe pedinchar que tas ofereça. Os sacos cheios das compras que fazes em todo o lado, carregados quatro andares de escadas acima. 

 

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 Tenho a certeza que vou ver fotos de vários itens caros e bonitos durante o dia de hoje, legendados como a prenda do melhor namorado do mundo. Mas almôndegas melhores que as que o meu faz, bitch, please.

 

 Happy Valentine's Day!