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Jardins Suspensos

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[Sentires] #Viveatuabeleza

 Se olhares em redor, vai-te parecer que o #ViveatuaBeleza (conhece o projecto/movimento AQUI) foi elencado por mulheres bonitas e com massas corporais tidas como "normais" ou mais dentro do que o conceito de normal é encarado. No entanto, vais perceber também, ao ler as suas histórias, que essas mulheres já se depararam com factos acerca dos seus corpos com os quais tiveram de aprender a lidar. Isso tem de te dizer a ti, que não estás feliz no corpo em que vives, que todas nós somos passíveis de dias e fases menos boas para connosco mesmas, que todas temos as nossas inseguranças e que esses sentimentos não são exclusivamente teus.

 

 Às vezes dá vontade de gritar, eu sei, sentes um misto de fúria e frustração imensa dentro de ti e não tens em quem te apoiar, com quem te relacionar, parece que não há quem te represente. E sentes que os teus queixumes são vãos, que os teus defeitos são maiores do que realmente são. Então respira fundo.

 

 Quando o meu corpo mudou da primeira vez, foi o reflexo de uma queda psicológica. Ajustei-me como pude, desenrasquei-me e esgravatei para fortalecer-me mas fechei-me. Em mim e em casa. E depois, quando saí à rua a primeira vez, eu tropecei algumas vezes: tinha esquecido como se andava. 

 Ao longo do tempo o meu corpo andou quase sempre na mesma, umas vezes perdia peso e noutras ganhava, não fazia nada para isso, eram as turbulências da vida, tal como acontece com qualquer mortal. 

 Quando me escangalhei pelo chão e fiz do meu tornozelo, pó, passei de alguém que se mexia bem e depressa para alguém que se andar de uma ponta à outra do Colombo, quase não consegue andar no dia seguinte. Claro que o meu peso aumentou, era natural com a mudança bruta de hábitos e de funções no local de trabalho.

 

 Compreende, estou a explicar-te como chegámos aqui, não sou quem era antes da minha primeira mudança corporal e não quero voltar a ser aquela pessoa, cresci e avancei, não choro os quilos ganhos.

 Ok, naqueles dias em que experimento roupa e nada do que eu gosto, me serve, eu tenho quebras e choramingo um bocado, é frustrante ver que as roupas são idealizadas para certo tipo de corpo e que para o meu, muitas vezes não existe algo que combine comigo e a um preço justo.

 

 Mas este é o corpo que eu tenho, é o corpo que gerou o meu filho, o corpo que se levanta todos os dias para ir trabalhar, o corpo marcado pela celulite e pelas estrias, de uma cor que não é branca nem castanha, uma mistura de raça. Deu-me trabalho amá-lo e acarinhá-lo. Não é fácil, principalmente nesta altura em que anda tudo tão centrado em comer frutos secos entre corridas matinais de 5km, porque as pessoas olham para mim e julgam-me, apenas pelo tamanho do meu corpo, acreditam-me preguiçosa e desleixada. Sabes o quão isso é desumano? Eu aqui a acreditar e a pregar que as pessoas devem viver as vidas que as fazem felizes desde que não prejudiquem ninguém e tenho de levar com olhares de esguelha se estou a comer um hambúrguer ou pizza, se bebo a porra de uma cola!

 Deu-me um trabalho descomunal aprender, primeiro a aceitar o meu corpo, depois a sentir-me bem nele e agora, a amá-lo. Foi um tarefa de peso (eu sei) passar a olhar-me ao espelho nua e não ficar ressentida, comigo ou com a vida. Sei onde estão os meus pontos fortes e sei o que me fica bem e não. Não me sinto espectacular todos os dias mas está tudo bem, também tenho de aceitar que os dias menos bons nos fazem apreciar os dias mesmo bons e a vida é uma mescla de tudo isso.

 

 Acho que deves ligar a luz, tirar a roupa e ver-te ao espelho, submeteres-te à única opinião que conta, a tua. E, com honestidade para contigo, e principalmente com bondade para contigo, encontrares a beleza que tens. Porque tens. Sejas magra ou gorda, amarela ou castanha, alta ou baixa, quando perceberes que és bonita na tua forma mais crua, vais ganhar um poder sobre ti mesma que é algo muito mais portentoso que o que qualquer trolha que te assobie na rua. 

 E depois vais aprender/continuar a usar a maquilhagem, os perfumes, os cuidados de rosto e de corpo, as roupas que gostas e os acessórios bonitos, não para fazer os outros descentrarem-se de ti mas para complementar o quão bem te sentes a ser tu mesma. E não, não vai ser perfeito todos os dias mas vai valer a pena o esforço.

 

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